Empresas de home care não são meras fornecedoras de mão de obra!

Empresas de home care não são meras fornecedoras de mão de obra!

Empresas e home Care não deveriam aceitar a prática de permitir que as fontes pagadoras comprem os medicamentos, aluguem os equipamentos médicos, ou qualquer recurso necessário para suprir as demandas do plano de tratamento do paciente.

Quando empresas inexperientes na área de home care permitem esta prática pela fonte pagadora, usurpam de si mesmas, a oportunidade de produzir resultados financeiros que garantam sua sobrevivência no mercado. E prejudicam as empresas mais estabelecidas, por criarem a ideia utópica de que empresas de home care não necessitam de lucro para sobreviverem.

Muitos planos de saúde, na tentativa de diminuir ainda mais seus custos com a cobertura de serviços de saúde aos seus usuários, adotam a prática de contratar empresas de home care, e impor-lhes condições que diretamente ameaçam suas habilidades de sobrevivência.

Alguns planos de saúde locam seus próprios equipamentos e os enviam à residência do paciente, compram Alimentação Industrializada diretamente do fornecedor e enviam ao paciente, compram os medicamentos diretamente dos laboratórios e os enviam ao paciente, restando às empresas de home care inexperientes, somente a proposta de fornecimento de mão de obra, algo que estes planos de saúde não se arriscam fornecer, devido ao altíssimo risco relacionado com ações trabalhistas que são freqüentes neste mercado.

Esta prática pode trazer inúmeras consequências às empresas de home care que são coniventes com tal prática. Primeiramente, a empresa de home care, cuja proposta é o de fornecer serviços multidisciplinares, em conjunto com todos os recursos necessários para cumprir com o plano de tratamento; passa a atuar somente com o fornecimento de mão de obra, algo que a coloca em desacordo com as leis trabalhistas, e seus próprios alvarás de funcionamento, home care não é uma empresa de RH!

Empresas de home care não são meras provedoras de mão de obra às fontes pagadoras, e necessitam da venda de produtos médicos, medicamentos e locação de equipamentos para sobreviverem, pois, existe uma complexa estrutura administrativa e operacional a ser mantida para que os serviços possam ser fornecidos de acordo com a legislação vigente.

Em home care, dificilmente uma empresa conseguirá cobrar o suficiente pela mão de obra para ter uma margem de lucro sobre ela. Isto se dá ao fato de que, cada vez mais, os profissionais de saúde estão cobrando mais para se deslocarem e efetuarem procedimentos em regime de home care, e o empresário em home care luta para manter o custo de mão de obra em um nível razoável para poder competir com os preços de diárias hospitalares, assim mantendo-se no mercado. Se uma empresa de home care cobrar muito pela mão de obra, a “diária” em home care ficará muito alta para competir com outras alternativas de internamento existentes no mercado. Assim, empresas de home care, no que diz respeito aos planos de saúde, não visam lucro na mão de obra, e quase sempre, apenas pagam seus impostos, e repassam o restante, na forma de remuneração, aos profissionais que atuam em campo. Isto parece não ser bem compreendido por certos gestores ligados ao home care em planos de saúde.

Ainda, quando planos de saúde resolvem comprar os medicamentos e enviá-los ao paciente, interferem com os protocolos da empresa de home care, fazendo que esta empresa não cumpra com a regulamentação vigente da ANVISA, e CRM. Empresas de home care, pela legislação, devem manter em seus arquivos, informações importantes a respeito dos medicamentos utilizados; informações como: número de lote, data de fabricação, data de validade, nome do fornecedor, verificação das licenças do fornecedor entre outras informações.

Quando a fonte pagadora compra o medicamento e o envia à residência do paciente, nenhuma dessas informações fica disponível à empresa de home care. Ao comprar o medicamento por conta própria, a fonte pagadora elimina a margem de lucro da empresa de home care. Ao comprar os recursos e enviá-los aos pacientes em home care, as fontes pagadoras assumem todos os riscos atrelados àquele produto. Inclusive, ficam responsáveis pelo total gerenciamento destes recursos, e qualquer complicação que possa advir desses recursos. Problemas como, falta de medicamento e correlatos, mau funcionamento de equipamentos entre outras responsabilidades.

Muitos gestores de fontes pagadoras acreditam que uma empresa de home care não necessita vender produtos, locar equipamentos, apenas necessita oferecer a mão de obra; porém, uma empresa de home care é muito como um hospital, e não tem como sobreviver, a não ser que possa vender produtos e locar equipamentos, e nesta atividade, produzir um lucro compatível com suas necessidades de sobrevivência e expansão. Não muito diferente das metas das próprias fontes pagadoras.

Portanto, às empresas de home care que são inexperientes no mercado e aceitarem o papel de meras provedoras de mão de obra e materiais de baixo custo aos planos de saúde; devem ficar preparadas, pois, não sobreviverão, e se o fizerem, o farão de forma precária!

Empresas de home care não devem aceitar que plano de saúde algum forneça seus recursos. Ao mesmo tempo, cabe a uma empresa de home care honesta, praticar uma margem de lucro líquido que seja honesta, sadia e benéfica a todos os envolvidos.

Os gestores de planos de saúde devem trabalhar em parceria com os gestores em home care, para produzir propostas que sejam honestamente viáveis para ambas às partes, somente assim, as empresas de home care sobreviverão, e os planos de saúde conseguirão diminuir seus custos de forma justa e honesta.

Edvaldo de Oliveira Leme, R.N.C